sexta-feira, 19 de abril de 2013

Não transforme o dia do Índio num Teatro


O que (não) fazer no Dia do Índio

Na data em homenagem aos primeiros habitantes do Brasil, uma série de estereótipos e preconceitos costuma invadir a sala de aula. Saiba como evitá-los e confira algumas propostas de especialistas de quais conteúdos trabalhar

Ricardo Ampudia

Dia do índio
O Dia do Índio é comemorado em 19 de abril no Brasil para lembrar a data histórica de 1940, quando se deu o Primeiro Congresso Indigenista Interamericano. O evento quase fracassou nos dias de abertura, mas teve sucesso no dia 19, assim que as lideranças indígenas deixaram a desconfiança e o medo de lado e apareceram para discutir seus direitos, em um encontro marcante.

Por ocasião da data, é comum encontrar nas escolas comemorações com fantasias, crianças pintadas, música e atividades culturais. No entanto, especialistas questionam a maneira como algumas dessas práticas são conduzidas e afirmam que, além de reproduzir antigos preconceitos e estereótipos, não geram aprendizagem alguma. "O índigena trabalhado em sala de aula hoje é, muitas vezes, aquele indígena de 1500 e parece que ele só se mantém índio se permanecer daquele modo. É preciso mostrar que o índio é contemporâneo e tem os mesmos direitos que muitos de nós, 'brancos'", diz a coordenadora de Educação Indígena no Acre, Maria do Socorro de Oliveira.
Saiba o que fazer e o que não fazer no Dia do Índio:

1. Não use o Dia do Índio para mitificar a figura do indígena, com atividades que incluam vestir as crianças com cocares ou pintá-las.
Faça uma discussão sobre a cultura indígena usando fotos, vídeos, música e a vasta literatura de contos indígenas. "Ser índio não é estar nu ou pintado, não é algo que se veste. A cultura indígena faz parte da essência da pessoa. Não se deixa de ser índio por viver na sociedade contemporânea", explica a antropóloga Majoí Gongora, do Instituto Socioambiental.

2. Não reproduza preconceitos em sala de aula, mostrando o indígena como um ser à parte da sociedade ocidental, que anda nu pela mata e vive da caça de animais selvagens

Mostre aos alunos que os povos indígenas não vivem mais como em 1500. Hoje, muitos têm acesso à tecnologia, à universidade e a tudo o que a cidade proporciona. Nem por isso deixam de ser indígenas e de preservar a cultura e os costumes.

3. Não represente o índio com uma gravura de livro, ou um tupinambá do século 14

Sempre recorra a exemplos reais e explique qual é a etnia, a língua falada, o local e os costumes. Explique que o Brasil tem cerca de 230 povos indígenas, que falam cerca de 180 línguas. Cada etnia tem sua identidade, rituais, modo de vestir e de se organizar. Não se prenda a uma etnia. Fale, por exemplo, dos Ashinkas, que têm ligação com o império Inca; dos povos não-contatados e dos Pankararu, que vivem na Zona Sul de São Paulo.

4. Não faça do 19 de abril o único dia do índio na escola

A Lei 11.645/08 inclui a cultura indígena no currículo escolar brasileiro. Por que não incluir no planejamento de História, de Língua Portuguesa e de Geografia discussões e atividades sobre a cultura indígena, ao longo do ano todo? Procure material de referência e elabore aulas que proponham uma discussão sobre cultura indígena ou sobre elementos que a emprestou à nossa vida, seja na língua, na alimentação, na arte ou na medicina.

5. Não tente reproduzir as casas e aldeias de maneira simplificada, com maquetes de ocas

"Oca" é uma palavra tupi, que não se aplica a outros povos. O formato de cada habitação varia de acordo com a etnia e diz respeito ao seu modo de organização social. Prefira mostrar fotos ou vídeos.

6. Não utilize a figura do índio só para discussões sobre como o homem branco influencia suas vidas

Debata sobre o que podemos aprender com esses povos. Em relação à sustentabilidade, por exemplo, como poderíamos aprender a nos sentir parte da terra e a cuidar melhor dela, tal como fazem e valorizam as sociedades indígenas?

quinta-feira, 4 de abril de 2013

Conheça a origem de 11 unidades de medida



Quem nunca brincou de contar o número de passos que gastava para atravessar a rua ou mediu o tamanho da TV em dedões? Para facilitar medições e evitar divergências, um conjunto de padrões foi desenvolvido e é utilizado em quase todo o mundo, com exceção de três países: Myanmar, Libéria e Estados Unidos. O Sistema Internacional de Unidades (SI, do francês Système International d’Unités) reúne as principais formas de mensuração de distância, massa e tempo. E a SUPER preparou uma lista para você conhecer a origem de 11 importantes unidades de medida:



1. Metro



Tamanho não é documento, mas é importante saber medir

A unidade cujo nome deriva do grego μέτρον (metron), ou “medida”, originalmente foi definida como um décimo milionésimo da distância entre o equador terrestre e o Pólo Norte. A partir de 1983, para tornar a unidade mais precisa, foi definido na Conferência Geral de Pesos e Medidas que o metro passaria a ser definido como o comprimento do trajeto percorrido pela luz no vácuo durante um intervalo de tempo de 1/299.792.458 de um segundo. Ainda bem que existe a régua… Como o próprio nome indica, o centímetro, segundo submúltiplo da unidade, é a centésima parte do metro – e, portanto, 100 centímetros equivalem a 1 metro.



2. Polegada



A polegada (ou inch, em inglês) é uma das unidades usuais do sistema de medições utilizado nos Estados Unidos. A palavra inglesa deriva do latim uncia, que significa “a duodécima parte” (ou “um doze avos”) e define bem a unidade de medida: uma polegada corresponde a 1/12 de um pé, ou seja, 2,54 centímetros.

Trocando os pés pelas mãos, no Brasil o nome da unidade faz referência à medida média da falange distal dos polegares – ou, em bom português, a extremidade do dedão da mão. E não é só aqui que o nome da unidade de medida está na ponta dos dedos: em língua catalã, chama-sepolzada; em francês, pouce; em italiano, pollice; em sueco, tum; entre outros.



3. Grama e quilograma


O protótipo internacional do quilograma

Quer saber quanto você pesa em litros? Fique sabendo que fazer esse cálculo não seria tão complicado assim. Isto porque o quilograma, unidade básica de massa do Sistema Internacional, tem massa igual ao do International Prototype Kilogram (o “Protótipo Internacional do Quilograma”), cujo peso é equivalente ao de um litro d’água em sua densidade máxima.

O nome da unidade deriva do latim gramma, que significa “pequeno peso”, fazendo com quequilograma seja o mesmo que “mil pequenos pesos”.



4. Arroba



O termo vem do árabe “ar-rub”, que significa “a quarta parte”. O nome se deve ao fato de que a unidade de massa equivalia inicialmente a um quarto de 1 quintal – antiga medida de massa utilizada em Portugal, Brasil e Espanha. Hoje é convencionado no país que a arroba, utilizada para pesar porcos e gado, corresponde a15 kg.


5. Nó


Conforme o carretel da barquinha se esvazia, é possível estimar a velocidade da navegação(via)

Pode parecer um tanto estranho, mas é possível medir a velocidade em “nós” – principalmente se estiver dentro de um barco. O nome advém de uma antiga prática nas embarcações: era utilizada a barquinha (ou barca), aparelho criado em Portugal no século XVI, para estimar a velocidade do deslocamento da navegação. Jogando o batel (peça de madeira triangular) no mar, era possível medir o número de nós que se desprendiam do carretel em determinado tempo. Em média, o nó equivale a uma milha náutica por hora, ou seja 1852 metros/hora.



6. Segundo



9.192.631.770 ciclos da radiação correspondente à transição entre dois níveis de energia do átomo césio 133 no seu estado fundamental. Ou, 1 segundo. Este é o padrão de medição do tempo adotado em 1967 pelo Sistema Internacional de Medidas, utilizado para registrar com precisão o tempo em relógios atômicos.

A marcação do tempo começou com os egípcios, por volta do ano 2000 a.C., mas, naquela época, a passagem era marcada tomando como base o movimento do sol e da lua – o que fazia com que a hora tivesse durações diferentes de acordo com a estação do ano. Gregos, persas e babilônicos aprimoraram o sistema, subdividindo o dia sexagesimalmente. Foi só bem depois disso que os cientistas perceberam que a rotação terrestre, usada até então como referência para divisão do tempo, era muito imprecisa. Definiu-se, então, o segundo como 1/31.556.925,9747 do tempo que a Terra levou para girar em torno do Sol a partir das 12 horas do dia 4 de janeiro de 1900.

Com o desenvolvimento dos relógios atômicos, a medição da transição entre dois níveis de energia de um átomo ou molécula tornou-se mais fácil, permitindo também que fosse possível medir o tempo com maior precisão. Assim, durante a 13ª Conferência Geral de Pesos e Medidas, em 1967, substituiu-se a definição antiga pela utilizada atualmente.


7. Libra

A libra (ou pound, em inglês) é uma das unidades usuais do sistema de medições utilizado nos Estados Unidos. Apesar das diferentes definições ao longo dos anos, é convencionado hoje que 1 libra equivale a 0,45359237 quilogramas. O nome da unidade de massa deriva do latimlibra, que significa balança.



8. Pé



Você provavelmente já usou seus pés para medir a distância entre dois pontos – como o tamanho da trave improvisada no futebol de rua, por exemplo – mas talvez não saiba que esta prática está longe de ser novidade. Usado como forma de medição de distância desde, no mínimo, a Grécia Antiga, a unidade de medida pé equivale a 0,3038 metros (ou 12 polegadas) e é bastante utilizado em países como Estados Unidos e Inglaterra.



9. Jarda



Os fãs de futebol americano com certeza já devem estar familiarizados com esta unidade de medida. Mas se você fica completamente perdido ao escutar o narrador falar que é a “terceira subida para as 10 jardas”, a gente traduz: ele quer dizer que é a terceira tentativa para percorrer com a bola uma distância igual a 10 vezes 0,9144 metros. Tudo vai fazer mais sentido você quando for assistir ao Super Bowl, no próximo dia 3 de fevereiro.

Equivalente também a 3 pés ou 36 polegadas, a jarda (ou yd, do inglês yard) não tem uma origem muito clara, mas uma das (mais divertidas) versões dá os créditos para o Rei Henrique I, da Inglaterra: ele teria determinado a jarda como a distância entre o seu nariz e o polegar do seu braço estendido.



10. Milha

Você já sabe o que acontece quando o DeLorean atinge 88 milhas por hora no clássico do cinema De Volta Para o Futuro, e com certeza já ouviu falar nas 500 Milhas de Indianápolis. Mas que distância é essa que os americanos tanto adoram? Com inúmeras variações ao longo da história, a milha terrestre foi padronizada em 1959 e equivale a 1,609344 quilômetros, ou 5.280 pés. É normalmente utilizada em países de língua inglesa mas, segundo registros, a sua origem data da Roma Antiga, onde cada milha equivalia a 1000 passos (mille passus, no latim) dados pelo Centurião, e variavam entre 1400 e 1580 metros, aproximadamente.



11. Quartilho (ou pinto)




Você provavelmente nunca viu ninguém pedir ao garçom para descer mais um pinto de chope no Brasil, mas não estranharia se ouvisse a expressão na Europa ou nos Estados Unidos. Por lá, o pint, conhecido aqui como pinto ou quartilho, é uma medida de volume muito usada, mas seu valor pode variar em cada país – equivale a 568,26125 mL no Reino Unido e 473,176473 mL nos EUA, por exemplo.

Fonte: Superinteressante

sexta-feira, 29 de março de 2013

Presente de Páscoa

Aos colecionadores e amantes de material sobre museologia e afins, uma preciosidade da época que o IPHAN era Secretaria, a Revista Museal do ano de 1987, e seus suplementos internos.
Aproveitem e Boa Páscoa.





















segunda-feira, 25 de março de 2013

Falando em Lendas- Drácula

           Hiatos, hiatos, hiatos depois de um tempinho sem postar nada, voltei com um post sobre lendas, inspirada por coisas que ando lendo, mas isso é outro assunto. Nessa semana ainda pretendo postar um relato interessante de convívio com o escritor Erico de uma visitante que tive o prazer de atender e outras coisas mais sobre qualquer coisa com a cara do blog.
            Bem agora pra desopilar a mente, um pouquinho Vlad Dracul.


A lenda de Drácula – O empalador
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               Vlad III é um homem que virou lenda, pois ninguém consegue dizer se ele ganhou a  fama de vampiro apenas por ser cruel ou se na verdade era cruel por ser um vampiro. Muitos mistérios rondam a vida desse Príncipe, que reinou sobre a Valáquia, onde era temido e respeitado, considerado um herói por muitos e um monstro por outros.
             Vlad, que também era conhecido como Drakul, pois seu pai havia entrado para a ordem do dragão, não teve vida fácil, afinal ele viveu em época de grandes conflitos, nos quais ele sempre batalhou ferozmente protegendo a Europa a da invasão islâmica, mostrando-se um valoroso guerreiro e um sanguinário matador, apesar de muitas vezes ter fingido ser amigo dos inimigos apenas para ficar no poder.
                       Drácula nasceu quando seu pai morava no exílio na famosa Transilvânia e ainda muito novo viu a luta entre Vlad II e um parente, o qual havia pego o trono da Valáquia, por isso desde cedo ele sabia o que era guerra, afinal ela estava dentro de sua própria família.

             Além disso, Vlad havia sido enviado por seu próprio pai como refém aos turcos, tudo para que o trono continuasse sob o controle de sua família. Conta-se que nessa época as loucuras sádicas de

dracula (1)
Drácula surgiram, a lenda fala que os turcos o transformaram em vampiro e ensinaram o menino a amar o sangue derramado dos inimigos, por isso ele esfolada, assava, despedaçava e mesmo empalava os que não seguiam seu comando.
             O Conde começou realmente a surgir na história quando seu pai, Vlad II, e sua mãe foram mortos na invasão húngara das terras da Valáquia. Isso ocorreu em 1447 e apenas nove anos depois, foi que Vlad III retornou para tomar suas terras de direito, dizem as lendas que o retorno do príncipe não passava de um engodo, pois aquele que voltará era na verdade Vlad II, que havia retornado dos mortos para vingar-se de seus inimigos, assim as primeiras lendas de Drácula começaram correr o mundo.
Vlad-Tepes-romania
                Mas para conseguir assumir o poder , Drácula teve que apoiar os Turcos, algo que ele jamais desejou, contudo era um mal necessário. Somente com essa artimanha ele conseguiu assumir o trono, porém logo foi deposto.
           Muitos anos se passaram até que Conde Vlad tivesse uma nova oportunidade e outra vez ele não pensou duas vezes antes de assumir o trono, utilizando-se do poder Turco para seu benefício. 
             Durante alguns anos, ele apoiou os Turcos, porém assim que seu reino estava estabelecido e forte, suas verdadeiras intenções surgiram e ele revoltou-se contra a mão que lhe apoiava.
Bram Stokers Dracula 9
               Sua raiva contra os turcos era tão grande que Vlad estava sempre no campo de batalha, derramando o sangue inimigo. Dizem que ele se mostrava mais forte e ágil que qualquer outro soldado, por isso tornou-se uma lenda, pois não havia quem conseguisse acreditar em uma pessoa com tamanho poderioe assim Vlad começou a se tornar Drácula, um vampiro tão poderoso que podia andar de dia, pois ele derramava tanto sangue, que nem mesmo o Sol conseguia lhe desafiar.
             Conta-se que todo capitão turco derrotado era levado a presença de Drácula ao fim do dia e seu sangue era retirado, pois Vlad bebia cada gota e deleitava-se com sofrimento de seu prisioneiros.

                 Drácula muitas vezes assava seus inimigos vivos e tomava seu sangue ainda quente, mas o que
Homem Empalado Pelo Anus
Vlad realmente gostava era de empalar os derrotados, onde ele enfiava uma grossa lança pelo ânus do inimigo e só parava quando via a mesma sair pela boca, muitas vezes eles demoravam horas para morrer, pois a hemorragia era lenta e dolorosa. Essa arte de torturar com empalamento tornou-se o pior pesadelo de quem o desafiava.
            Infelizmente o poder Turco era grande e o exército  de Drácula caiu, por isso ele fugiu e foi preso por Matthius Corvina. Durante 12 anos Vlad amargurou a prisão, onde jamais deixou de praticar suas torturas favoritas, só que eram feitas em pequenos animais dados pelos guardas
.        Muito se fala que isso era feito porque todos temiam deixar Vlad sem acesso ao sangue e quando isso acontecia, ele se transformava em um ser repugnante e poderoso, que poderia em raiva derrubar as próprias paredes da prisão, dessa maneira eles mantinham a besta alimentada.
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          Com todo seu charme e poder de negociação, Drácula conseguiu ficar livre e até mesmo se casou no tempo em que ficou "preso".Finalmente  1476 ele conseguiu retornar à sua terra e reassumir o trono.  
        Infelizmente isso não durou muito, pois em uma batalha contra os turcos ele veio a perecer, mas isso é o que contam os livros de histórias, pois ninguém sabe ao certo o que ocorreu nesse fatídico dia. Alguns dizem que ele foi cercado e morreu lutando, outros dizem que foi traído por seus homens e alguns ainda comentam que na verdade ele foi morto por seu general, porém isso havia sido um acidente.
      As lendas dizem que ele foi decapitado e sua cabeça levadas para os Turcos, seu corpo havia sido enterrado em uma ilha chamada Snagov, porém algo muito estranho ocorreu em 1931, quando os arqueólogos acharam a tal tumba: lá dentro não havia corpo algum, apenas ossos de animais…
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        Dizem que o poderoso Conde Drácula da Transilvânia não poderia cair em batalha pela mão de pobres humanos, o que teria acontecido na verdade era que ele havia encenado a morte, para depois poder sumir no mundo. Fala-se que ele ficou alguns meses no seu túmulo, matando pequenos animais para passar o tempo , até que um dia ele saiu e desapareceu dos registros da história

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Primitivo sentimento


Como seguir....!


 Cada ser humano tem seu tempo de ação com determinados sentimentos, alguns bloqueiam certas etapas, nem sempre os próprios conselheiros são exemplarmente tão bem resolvidos assim, esse é o principio da humanidade. è por isso que dialogamos, executamos a limpeza do que alguns chamam "alma". A morte é sempre um sentimento irreparavelmente centrado no convívio e relações dos vivos para com o falecido, o que torna um processo doloroso passível muitas vezes de medicação hoje em dia. Quando algo abrupto acontece em nossas vidas, como um acidente, ou algo premeditado, ou ainda uma tragédia como o Caso de Santa Maria ocorrido na Boate Kiss, o sentimento é massificado, a comoção abrange proporções nacional e dependendo, internacional como foi o caso ocorrido em 27 de janeiro de 2013 que levou a vida de 240 jovens que tinham no máximo 35 anos e estavam lá pra se divertir. Pensar no cenário noticiado, na imprensa local, nacional e internacional, faz-nos refletira como será o processo de luto das famílias, parentes, amigos, colegas, conhecidos e mesmo de quem se coloca por cumplicidade numa situação dessa por ja ter perdido um ente querido em acidente, assassinato ou evento semelhante. Para a família, mães, pais irmãos, filhos a dor será eterna, ainda que perene com o passar dos anos, aos outros resta o consolo das etapas do luto, e o auxílio do diálogo em todas as suas formas.

Lidar com a perda nem sempre é algo fácil de se fazer, visto que é algo que temos de lidar com os nossos mais primitivos sentimentos de desamparo e vulnerabilidade. Mas como e o que fazer diante da situação inevitável de lidar com a perda do objeto amado?
Muitas vezes criamos espelhos das nossas relações pessoais no nosso inconsciente de forma fantasiosa, criamos um ser amado que não existe e jamais existirá no mundo real e, no entanto, trazemos para o mundo real toda a carga de demanda emocional e frustração para com o nosso ser amado. Alguns estudiosos do assunto dizem que quanto mais se ama mais se sofre, porém, como um sentimento tão sublime quanto o amor pode causar tantos danos? Certamente, encontraremos a resposta na forma com que construímos e administramos esse sentimento. Freud dizia nos idos de 1913 que “Nunca estamos tão mal protegidos contra o sofrimento como quando amamos, nunca estamos tão irremediavelmente infelizes como quando perdemos a pessoa amada ou o seu amor”.
Precisamos reconhecer em nós os sentimentos que nos são característicos, conhecer os eventos que desencadeiam as nossas mais primitivas e elaboradas emoções, conhecer em nós mesmos os efeitos físicos que os sentimentos nos causam, enfim, ter consciência corporal dos sentidos.
Quando uma pessoa perde uma pessoa amada dizemos que o sentimento característico é o sentimento da dor e quando há a ameaça da perda, dizemos que há a angústia diante da ameaça da perda, como se o nosso corpo já preparasse todas as nossas ferramentas conscientes e inconscientes, para lidar com a possível ameaça a nossa harmonia estrutural.. Mas e quando a perda vem de forma abrupta e irreparável como na experiência da morte de um ente querido? Essa dor que não pôde ser amortecida e de certa forma preparada pela angústia, causará no indivíduo que a experimenta a dor traumática que desestrutura o sujeito, de tal modo que não consiga, no nível consciente, experenciá-la e resignificá-la de forma a se restabelecer de prontidão, ficando efetivamente um trauma, podendo, inclusive fazer da dor física um sintoma da dor emocional.
Há, portanto, urgência no conhecimento daquilo que se sente para que possamos reconhecer os momentos em que estamos na condição de ajudar a dor do outro ou na condição de receber auxilio. Há de se reconhecer à existência daquilo que o psicanalista J-D Nasio, intitula de Dor de Amar, que de acordo com o autor, essa dor é o afeto que traduz na consciência a reação defensiva do eu quando, sendo comocionado[1], ele luta para se reencontrar, neste caso, segundo o autor, a dor é uma reação.
Diante dessa dor, que não pode ser representada em sua totalidade em palavras, o indivíduo sob risco de se esgotar psiquicamente e emocionalmente, concentra suas forças em um só ponto: a representação do amado perdido. A partir desse momento a consciência do sujeito fica inteiramente ocupada em manter viva a imagem daquele que se foi, até mesmo colorindo de cores mais vivas e positivas o amado perdido daquelas que anteriormente se tinha consciência.
Esse artifício desempenha papel primordial em preservar o sujeito do esgotamento de suas emoções atirando-a em um luto patológico que causaria dados incalculáveis a sua vida.
Elisabeth Kübler-Ross, médica suíça que se dedicou aos cuidados paliativos e desenvolveu a teoria da morte e o morrer[2], apresentou cinco fases no processo de assimilação da angústia da perda ou da perda abrupta, em outras palavras, do luto, são elas:
1.      Negação – Serve de amortecedor para o impacto da perda até que a pessoa tenha condições minimamente razoáveis de lidar com o ocorrido.
2.      Raiva – O sujeito já assimilou o fato (a perda, o diagnóstico e seu prognóstico sem expectativa ou a amputação de um membro, por exemplo) tenta de algum modo culpar algo ou alguém por sua incompreendida situação como meio de encontrar racionalidade a dor.
3.      Negociação – No desespero diante do ocorrido e do despreparo emocional para lidar com a perda o sujeito “tenta” barganhar com a espiritualidade algo em troca da restituição daquilo que foi perdido.
4.      Depressão[3] – É uma fase de preparação para a fase seguinte, o sujeito tende a se repensar ou repensar a relação com aquele que se foi. Esta é a fase em que o silêncio significa muita coisa, pois está repleto de reflexões que não podem ser verbalizadas em sua totalidade.
5.      Aceitação – O sujeito passa a aceitar a sua condição seja do ângulo de quem vive uma doença terminal ou alguém que perde o ser amado.
Inicialmente as fases citadas foram elaboradas para descrever o processo da morte e do morrer, ou seja, para aquele que perde o ser amado e para aquele que vivencia gradualmente a sua morte por uma doença terminal, contudo, com o aprofundar dos estudos sobre essas questões, essas fases são aplicadas nos dia de hoje de uma forma geral a todos os processos de enlutamento, de perda do objeto amado, ex: separações, perda de membros do corpo, doenças incuráveis.
Acontece, de forma gradual, entre um pólo e outro; entre a fase de negação e a fase de aceitação um processo de desinvestimento e outro de superinvestimento. No primeiro, acontece que o sujeito, inconscientemente, retira todo investimento emocional das suas representações e demais vínculos afetivos para superivesti-los intensamente na representação daquele objeto que se perdeu, causando o luto. O psicanalista J-D Nasio[4], conclui que esse esvaziamento súbito causado pelo desinvestimento é tão doloroso quanto o superinvestimento em um único objeto de amor, considero até que a manutenção desse supervinvestimento propicia o desenvolvimento de psicopatologias. Nasio resume a dor de amar como: “o afeto que exprime o esgotamento de um eu inteiramente ocupado em amar desesperadamente a imagem do amado perdido. O langor e o amor se fundem em dor pura”.
Assimilar a perda nem sempre é fácil, ainda mais quando não trabalhamos em nós o desapego ou a crença em formas mais elaboradas e evoluídas de transformação da vida e do sentimento, por isso na nossa sociedade o luto é algo tão complicado de se fazer porque simplesmente não paramos para refletir sobre o processo. Não nos repensamos, diria até que não pensamos sobre a perda. Passamos o tempo nos iludindo com a dor ou com formas de entretenimento e anestesias emocionais que bloqueiam a resignificação da perda.
De acordo com Nasio, o luto é nada mais do que uma lentíssima redistribuição da energia psíquica até então concentrada em uma única representação que era dominante para o sujeito que vivencia a perda. Mas nos dias de hoje, realizar o luto está cada vez mais difícil, as relações são substituídas sem serem repensadas, os sentimentos são mascarados com drogas (lícitas ou ilícitas) e condutas de vida que não lhes permitem a análise minuciosa da ferida.
É como se em um cesto de roupas sujas fossemos empilhando uma roupa suja em cima da outra, considerando cada roupa uma metáfora para cada perda/trauma, por fim o cesto há de transbordar e o sujeito terá de encarar todas aquelas roupas de uma só vez. Assim é quando não pensamos nas nossas relações e não dedicamos espaço e tempo para analisar cada uma delas devidamente ao seu tempo, corremos o risco de ter um transbordamento de sofrimento que imperiosamente fará com que teremos de paralisar a vida para lidar com o acúmulo de emoções que não foram assimiladas ao longo do tempo.

[1] Que sofre as conseqüências de uma comoção.
[2] KÜBLER-ROSS, E. Sobre a morte e o morrer. São Paulo, Martins Fontes, 1992.
[3] Não confundir com a patologia depressão descrita na Classificação Internacional de Doenças – CID 10.
[4] NASIO, Juan-David. A dor de amar. Rio de Janeiro, Jorge Sahar Ed., 2007.
Texto: Leandro Ponte e Juliana Abreu