quinta-feira, 31 de março de 2011

Como são emplacados nossos carros

Posted: 18 Mar 2011 09:47 PM PDT
As placas de identificação de veículos no Brasil são emitidas pelos departamentos de trânsito (DETRAN) de cada unidade da Federação, seguindo uma sequência única para todo o país.
O sistema atual é o Renavam, e foi criado através do decreto-lei n.º 237 de 23 de fevereiro de 1967[1], tendo sido implantado de maneira gradativa, tendo a primeira implantação efetiva ocorrida em 1990 no estado do Paraná[2]

Sistemas anteriores


Primeiro sistema

Primeiro sistema de emplacamento brasileiro, de 1901 a 1941

Foi utilizado de 1901, quando os primeiros veículos a motor começaram a ser emplacados, até 1941. No início, o trânsito era assunto de competência municipal; portanto, cada município expedia as suas placas, que eram no entanto iguais em todo o território nacional. Eram pretas com letras brancas. Tinham uma letra (P = particular; A = aluguel) e uma quantidade de números que variava de 1 a 5 dígitos. Exemplos: P 6, A 25, A 587, P 1·349, P 12·879


Sistema numérico

Placa de identificação, modelo paulista, cerca de 1967.

Foi usado entre 1941 e 1969. Ele introduziu as cores utilizadas até hoje nos veículos de transporte pago (placas vermelhas com letras brancas), oficiais (placas brancas com letras pretas) e as particulares eram cor de laranja e caracteres pretos. Nesse sistema, o nome dos municípiosvinha antes da sigla dos estados. As combinações eram numéricas, agrupadas duas a duas: a mais comum era do tipo 12·34·56; entretanto havia também em estados com menos automóveis (ou para propósitos especiais) as combinações 1·23, 12·34 e 1·23·45. No estado de São Paulo, chegou a haver a combinação 1·23·45·67. As placas de motocicletas eram ovais, possuíam apenas a sigla do estado (como era comum nas placas traseiras de outros veículos) e embaixo tinham o ano da expedição.

Sistema alfanumérico - duas letras e quatro números


Placa adotada até a implementação do sistema RENAVAM, de 1969 até 1990.
Nos sistemas de placas usado entre 1969 e 1990 (em alguns estados, estendeu-se até 1999), cada estado possuía uma sequência que poderiam repetir-se em todos os estados. Os prefixos eram vinculados aos municípios, exigindo a troca da placa toda vez que o veículo fosse vendido para alguém residente em outro município. A sigla do estado passou a vir antes do nome do município. Nesta época a mudança de cor resumiu-se à troca do laranja nas particulares pelo amarelo. as demais permaneceram com suas cores do sistema anterior.
Quando os sistemas de bancos de dados computadorizados começaram a ser implantados, surgiram incompatibilidades visto que: A placa AB·0123 poderia existir em cada um dos estados; As motocicletas usavam uma sequência paralela com apenas três números. A placa AB·123 (motocicleta) seria confundida pelos computadores com placa AB·0123.Os principais problemas deste sistema eram os seguintes
  • O número máximo de prefixos disponíveis por estado era de apenas 676 combinações (26 X 26), não havendo disponibilidade de prefixos para todos os municípios uma vez que em alguns estados o número de municípios é quase o mesmo de prefixos ou até maior, além do fato de que os municípios mais populosos chegavam a ter dezenas de prefixos. O estado de Minas Gerais na época tinha 722 municípios.


Sistema atual: três letras e quatro números

As limitações técnicas do sistema com duas letras e quatro números, levou à implantação, a partir de 1990, de um novo sistema de identificação das placas, com o acréscimo de mais uma letra, além de outras modificações, sendo a mais perceptível dentre estas, a mudança da cor das placas particulares de amarelo para cinza.

Modelo de placa veicular brasileiro, em caracteres DIN Mittelschrift, adotado até 2008

Escolheu-se a forma "ABC·1234" com um hífen ou ponto entre as letras e os números. Acima da combinação há uma tarjeta metálica com a Unidade da Federação (RS = Rio Grande do Sul, SC = Santa Catarina etc) e o nome do município onde o veículo está registrado. A tarjeta pode ser trocada quebrando o lacre (feito de plástico ou chumbo).
O simples acréscimo de mais uma letra nas placas possibilitou a criação de um cadastro nacional unificado de veículos, uma vez que a quantidade máxima de combinações passou a ser de 175.742.424 — (26 X 26 X 26 X 9999), visto que o número 0000 não é usado.
A combinação alfanumérica dada a um veículo não pode ser transferida a outro, ser substituída, nem é permitido o reaproveitamento da combinação por outro veículo, mesmo após o sucateamento.
Os veículos das representações diplomáticas vem se enquadrando paulatinamente neste sistema, sendo que no Distrito Federal e Rio de Janeiro, estados com maior concentração de representações, as antigas placas CD e CMD foram substituídas por placas de 3 letras, mantendo-se a cor azul e dísticos brancos. A modificação das cores dos carros particulares, motivou posteriormente uma certa discussão sobre a necessidade de se modificar também a cor das placas de veículos oficiais, uma vez que a semelhança entre o cinza usado nos particulares e o branco, usado nos oficiais, tornava difícil a identificação de veículos oficiais e, consequentemente, a fiscalização do uso destes veículos[3].


Formato

As placas possuem formato retangular com as letras separadas dos números por um hífen ou ponto, exceto para motocicletas, nestas os números são posicionados abaixo das letras.
O tamanho padrão das placas é de 400 por 130 milímetros, mas podiam ser encomendados modelos de tamanho japonês ou europeu até 1 de janeiro de 2008.

Modelo de placa veicular brasileiro, a partir de 2008, em caracteres Mandatory, conforme resolução 231 do CONTRAN.

As placas são pintadas para todas as categorias de veículos, mas a partir da vigência deste novo regulamento para as motocicletas e ciclomotores passaram a ser obrigatoriamente refletivas, opcionalmente para os demais veículos.A nova regulamentação do Conselho Nacional de Trânsito (CONTRAN), Resoluções 231[4] e 241 (em vigor a partir de 1 de janeiro de 2008), estabeleceu a fonte Mandatory para as letras e números das placas brasileiras. A legislação anterior às resoluções 231 e 241 não obrigava o uso de nenhuma fonte específica, embora a mais adotada fosse a do sistema DIN (DIN Mittelschrift).
O Brasil é o único país do mundo a adotar as películas prismáticas na confecção de placas veiculares, contrariando a norma ISO 7591 (Road Vehicles - Retro-reflective registration plates for motor vehicles and trailers - Specification) utilizada em todos os demais países (mais de duzentos) que utilizam películas refletivas.


Sequência por região

As siglas identificam o estado no qual o veículo foi originalmente licenciado, mesmo se registrados posteriormente noutro estado, mantêm sua combinação original. O DENATRAN não libera uma nova leva de combinações (série) fora da ordem alfabética de utilização. Por essa razão não há ainda placas que se iniciem acima da combinação PFR, sendo, portanto, de Q a Z ainda inexistente como primeira letra.
As séries das quais ainda não se tem conhecimento à qual UF tenham sido reservadas estão em aberto pois certamente foram utilizadas, dentro dessa ordem, restando apenas tomarmos conhecimento para nesta página devidamente registrar. Observe-se que ainda que nenhuma série termina com numeração quebrada, ou seja, sempre se utiliza uma combinação completa, desde o número 0001 ao 9999. Os critérios para eleição de quantas combinações serão cedidas ao estado requerente são variados e depende da demanda e da autorização e registro pelo DENATRAN. Faz-se importante também lembrar que quando uma série termina, a subsequente inicia-se automaticamente na combinação seguinte à ordem alfabética.
Pelo quadro de séries por UF é possível compreender e observar bem isso (atualizado até 05/03/2011):

Combinação alfanumérica UF
AAA 0001 a BEZ 9999 Paraná (PR)
BFA 0001 a GKI 9999 São Paulo (SP)
GKJ 0001 a HOK 9999 Minas Gerais (MG)
HOL 0001 a HQE 9999 Maranhão (MA)
HQF 0001 a HTW 9999 Mato Grosso do Sul (MS)
HTX 0001 a HZA 9999 Ceará (CE)
HZB 0001 a IAP 9999 Sergipe (SE)
IAQ 0001 a JDO 9999 Rio Grande do Sul (RS)
JDP 0001 a JKR 9999 Distrito Federal (DF)
JKS 0001 a JSZ 9999 Bahia (BA)
JTA 0001 a JWE 9999 Pará (PA)
JWF 0001 a JXY 9999 Amazonas (AM)
JXZ 0001 a KAU 9999 Mato Grosso (MT)
KAV 0001 a KFC 9999 Goiás (GO)
KFD 0001 a KME 9999 Pernambuco (PE)
KMF 0001 a LVE 9999 Rio de Janeiro (RJ)
LVF 0001 a LWQ 9999 Piauí (PI)
LWR 0001 a MMM 9999 Santa Catarina (SC)
MMN 0001 a MOW 9999 Paraíba (PB)
MOX 0001 a MTZ 9999 Espírito Santo (ES)
MUA 0001 a MVK 9999 Alagoas (AL)
MVL 0001 a MXG 9999 Tocantins (TO)
MXH 0001 a MZM 9999 Rio Grande do Norte (RN)
MZN 0001 a NAG 9999 Acre (AC)
NAH 0001 a NBA 9999 Roraima (RR)
NBB 0001 a NEH 9999 Rondônia (RO)
NEI 0001 a NFB 9999 Amapá (AP)
NFC 0001 a NGZ 9999 Goiás (GO) 2ª sequência
NHA 0001 a NHT 9999 Maranhão (MA) 2ª sequência
NHU 0001 a NIX 9999 Piauí (PI) 2ª sequência
NIY 0001 a NJW 9999 Mato Grosso (MT) 2ª sequência
NJX 0001 a NLU 9999 Goiás (GO) 3ª sequência
NLV 0001 a NMN 9999 Alagoas (AL) 2ª sequência
NMO 0001 a NNI 9999 Maranhão (MA) 3ª sequência
NNJ 0001 a NOH 9999 Rio Grande do Norte (RN) 2ª sequência
NOI 0001 a NPB 9999 Amazonas (AM) 2ª sequência
NPC 0001 a NPQ 9999 Mato Grosso (MT) 3ª sequência
NPR 0001 a NQK 9999 Paraíba (PB) 2ª sequência
NQL 0001 a NRE 9999 Ceará (CE) 2ª sequência
NRF 0001 a NSD 9999 Mato Grosso do Sul (MS) 2ª sequência
NSE 0001 a NTC 9999 Pará (PA) 2ª sequência
NTD 0001 a NTW 9999 Bahia (BA) 2ª sequência
NTX 0001 a NUL 9999 Mato Grosso (MT) 4ª sequência
NUM 0001 a NVF 9999 Ceará (CE) 3ª sequência
NVG 0001 a NVN 9999 Sergipe (SE) 2ª sequência
NVO 0001 a NWR 9999 Goiás (GO) 4ª sequência
NWS 0001 a NXT 9999 Maranhão (MA) 4ª sequência
NXU 0001 a NXW 9999 Pernambuco (PE) 2ª sequência
NXX 0001 a NYG 9999 Sequências ainda não definidas
NYH 0001 a NYZ 9999 Bahia (BA) 3ª sequência
NZA 0001 a NZZ 9999 Sequências ainda não definidas
OAA 0001 a OAO 9999 Amazonas (AM) 3ª sequência
OAP 0001 a OBD 9999 Mato Grosso (MT) 5ª sequência
OBE 0001 a OBX 9999 Sequências ainda não definidas
OBY 0001 a OCT 9999 Ceará (CE) 4ª sequência
OCU 0001 a PED 9999 Sequências ainda não definidas
PEE 0001 a PFQ 9999 Pernambuco (PE) 3ª sequência[5]
PFR 0001 a ZZZ 9999 Sequências ainda não definidas

Total de combinações disponibilizadas por estado até 05/03/2011

Estado Quant. Combinações Placas Disponíveis

São Paulo- 3519 - 35186481
Rio de Janeiro- 910 - 9099090
Paraná- 806 - 8059194
Minas Gerais- 782 - 7819218
Rio Grande do Sul- 753 - 7529247
Santa Catarina- 412 - 4119588
Bahia- 255 - 2549745
Goiás- 242 - 2419758
Pernambuco- 226 - 2259774
Ceará- 194 - 1939806
Distrito Federal- 185 - 1849815
Mato Grosso- 144 - 1439856
Espírito Santo- 133 - 1329867
Mato Grosso do Sul- 122 - 1219878
Maranhão- 115 - 1149885
Pará- 108 - 1079892
Rondônia- 85 - 849915
Amazonas- 80 - 799920
Paraíba- 72 - 719928
Piauí- 68 - 679932
Rio Grande do Norte- 68 - 679932
Alagoas- 56 - 559944
Sergipe- 49 - 489951
Tocantins- 48 - 479952
Acre- 20 - 199980
Roraima- 20 - 199980
Amapá- 20 - 199980

Cores

As placas possuem cores diferentes de acordo com o tipo de uso para que o veículo está registrado:
  • preto sobre fundo cinza: privados
  • branco sobre fundo vermelho: transportes públicos e veículos de aluguel (ônibus, taxis, caminhões que
  • Outras cores utilizadas no moderno emplacamento veicular brasileiro, além da "preto sobre fundo cinza".

  • prestam serviços a terceiros etc.)
  • vermelho sobre fundo branco: auto-escolas
  • preto sobre fundo branco: uso oficial (governo, polícia, bombeiros etc.)
  • cinza sobre fundo preto: automóveis de colecionadores (com mais de trinta anos e em excelente estado de conservação e originalidade)
  • branco sobre fundo verde: experiência, os carros que estão em reparo nas concessionárias ou oficinas e que precisam ser testados na rua levam a placa verde.
  • branco sobre fundo azul com ADM, CC, CD, CDM, OI no local do estado: uso diplomático-consular (no formato JGM 1234 ou LVM 1234).
  • branco sobre fundo azul com sigla do estado e cidade: fabricante, carros das montadoras que ainda estão em fase de testes para ver seu desempenho rodam com a placa azul.
  • dourado sobre fundo preto: utilizadas em carros oficiais de prefeitos, presidentes de câmaras, presidente da assembléia, presidente de tribunais...O fundo é preto e os caracteres alfanuméricos dourados. A placa contém o brasão da república.
Observação: A partir de janeiro de 2009 uma nova resolução determinou que os novos veículos emplacados na categoria corpo diplomático ou consular receberão dentro da série do estado onde será lotado uma combinação geral e normal de três letras e quatro números, como as demais categorias. Permanece porém características de cores e tipos. Até dezembro de 2009 todos veículos até então enquadrados no sistema de "CC-1234" deveriam se adaptar a este novo sistema único, mantendo referência a corpo consular através de inscrição na tarjeta no lugar do UF e município com código que designe a categoria especial com abreviaturas padronizadas (CC, CD, CMD, OI etc) segundo a resolução 286/2008 do Contran.

terça-feira, 29 de março de 2011

AHHHHHHHH A escola- Cristo Redentor, Cruz Alta/RS

O Ginásio Cristo Redentor em 1941 assou por uma inspeção para agregar a Escola de Comércio eneste relatório mandado para a Secretaria de Educação e Saúde, constava algumas fotos do local que disponibilizo agora, estes originais estão no Museu Municipal e arquivo Histórico de Cruz Alta, junto a antiga estação férrea, Pinheiro Machado s/n.
Vista parcial da secretaria


Vista Frontal do Ginásio Cristo Redentor

Sala de aula, psiuuuu- silêncio

Comemorações Cívicas 1941


segunda-feira, 28 de março de 2011

Arquivos do Terror

 

Os Arquivos do Terror

Há quase vinte anos, o Paraguai descobria o maior acervo documental de uma ditadura militar na América do Sul. Saiba com foi esta descoberta e o que ela representa 

O Café História encerra com este artigo a série "Ditaduras Militares na América do Sul", publicada ao longo do mês de fevereiro de 2011. O especial contou não apenas com a publicação de artigos, mas também com a abertura de fóruns, sugestão de grupos de estudos, publicação de vídeos e uma palestra online e ao vivo com o historiador Carlos Fico, que abordou o tema da "Operação Brother Sam".

A última parte deste especial, que você acompanha a seguir, discute o chamado "Arquivo do Terror", nome dado aos arquivos da repressão da ditadura de Alfredo Stroessner, no Paraguai, encontrados em 1992. Símbolo positivo da transição democrática paraguaia, o "Arquivo do Terror" é um patrimônio político, histórico e jurídico e que muito significa para os recentes avanços democráticos na América do Sul. Confira a matéria e continue participando das discussões sobre o assunto.

Um achado histórico

Era uma manhã do dia 22 de dezembro quando o juiz José Agustín Fernandez, investido de seus poderes, ordenou a abertura de uma dependência policial localizada em Lambaré, cidade a 20 quilômetros de Assunção, capital do Paraguai. O juiz Fernandez estava ali para fazer cumprir a lei “habeas data”, solicitada pelo advogado Martín Almada, desejoso de saber detalhes sobre a morte de sua esposa, a educadora Celestina Perez, e das acusações que o colocaram preso entre 1974 e 1977. O habeas data assegura o direito de toda pessoa ter acesso a informação e aos dados sobre si mesma. Para espanto dos presentes, porém, quando a porta da dependência policial de Lambaré foi aberta, não foi apenas o habeas data de Almada que seria contemplado, mas o de milhares de pessoas. Naquele lugar estavam empilhados, do chão ao teto, milhares de papéis,cadernos, fichas, dossiês e outros documentos oficiais produzidos pelas autoridades paraguaias ao longo de mais de três décadas de ditadura militar no país. Em pouco tempo o lugar se encheu de jornalistas, fotógrafos e curiosos de todos os cantos que, incrédulos, encaravam aquilo que, em alguns dias, ficaria conhecido no Paraguai e no mundo inteiro como “Os Arquivos do Terror”.

A descoberta não havia sido acidental. Alguns dias antes, depois de tentativas frustradas de Almada em descobrir informações pessoais (e que a Polícia dizia desconhecer), o advogado recebeu o telefonema de uma mulher, esposa de um policial. Ela contou a Almada onde estavam seus arquivos e este, por sua vez, pediu a intervenção do juiz Fernandes, que cuidava de seu pedido. O desfecho foi o achado histórico em Lambaré, que rapidamente se transformou em um espetáculo midiático e comoveu o país.

E não era para menos. O conjunto de documentos encontrados naquela dependência tinha um valor inestimável: havia ali, por exemplo, fichas policiais que as autoridades paraguaias negavam ou juravam desconhecer, uma quantidade interminável de documentos que em breve ajudariam a colocar muitas pessoas na prisão e traria alívio a famílias inteiras.

Depois de alguns anos de trabalho, os arquivos foram cuidados e organizados. No total, a população paraguaia tinha em mãos 320 mil documentos, fotos e registros recolhidos ao longo dos 35 anos da ditadura do general Alfredo Stroessner. São fichas policiais, listas de entradas e saídas de presos, notas do chefe de investigações, informes confidenciais, controle de partidos políticos, publicações periódicas, listas de suspeitos, informações sobre agremiações e grupos considerados subversivos, controle de sindicatos e objetos como livros e cédulas de identidade. Os investigadores, então, de posse do novo material, fizeram vários estudos e descobertas na última década. Uma das mais importantes foi a comprovação da chamada Operação Condor, que durante muito tempo não passou de uma suspeita dos historiadores. Em síntese, a Operação Condor era a aliança político-militar estabelecida a partir da década de 1970 entre regimes militares da América do Sul, mais especificamente de Brasil, Argentina, Chile, Bolívia, Paraguai e Uruguai. Os arquivos encontrados no Paraguai comprovavam a ligação entre os regimes autoritários na investigação de organizações e pessoas que ultrapassavam mais de uma fronteira.

Um país com suas peculiaridades

Os “Arquivos do Terror” representam hoje o maior acervo documental de uma ditadura na América do Sul. Ao contrário de outros países, que ainda engatinham quando o assunto é a abertura dos “arquivos sensíveis”, o Paraguai possui a quase totalidade dos documentos produzidos pela ditadura. Quase nada foi destruído, mesmo após o fim da ditadura de Stroessner e o período da transição democrática. Talvez pelo fato de a polícia acreditar que eles ainda pudessem ser valiosos no futuro. No entanto, para se compreender esta particularidade do Paraguai em relação aos outros países sul-americanos no tocante aos arquivos da ditadura é preciso conhecer as peculiaridades que a ditadura paraguaia em geral possui em relação as suas “co-irmãs dos trópicos”.

O jornalista, médico e pesquisador Alfredo Boccia Paz, em seu revelador artigo “Los Archivos del horror” del Paraguay: los papelos que resignificaram La memória del stronismo” (Ditadura e Democracia na América Latina, FGV e UFRJ, 2005) ajuda a desvendar que Paraguai é esse. Para Paz, o país possui três singularidades. A primeira diz respeito ao começo da ditadura de Strossner, em 1954, ou seja, muitos anos antes das ditaduras nos demais países do continente, e também ao seu término, em 1989, depois de quase todas as outras ditaduras sul-americanas, com exceção do Chile (1990). A segunda singularidade seria o fato de a ditadura de Stroessner simplesmente ter sucedido outros regimes autoritários que a precederam. A sociedade paraguaia vinha de um longo tempo sem instituições democráticas consolidadas, o que produzia, conta Paz, uma baixa participação cívica nos assuntos políticos do país. Já a terceira característica ressaltada pelo jornalista, articulista do jornal paraguaio “Ultima Hora”, é a fachada institucional que Strossner mantinha, uma aparente normalidade democrática, haja vista que a ditadura no Paraguai, embora tivesse à sua frente um militar personalista, sempre foi candidato e contou com o apoio basilar do Partido Colorado.

Paz lembra também que não foi apenas a pressão popular que terminou com a ditadura de Strossner, mas sim um golpe de estado comandado por um outro militar, o general Andrés Rodrígues, um dos homens fortes do regime. Assim, embora Strossner tivesse sido deposto (vindo a exilar-se em Brasília, onde morou até morrer, em 2006), o sistema político no Paraguai não havia mudado. O Partido Colorado continuva forte, emplacando seus candidatos, como se nada houvesse acontecido. Neste sentido, fica mais fácil compreender porque os arquivos da ditadura não foram eliminados.

Acesso livre

Felizmente, a descoberta dos “Arquivos do Terror” ajudaram a mudar a mentalidade política dos paraguaios, que passaram a ter provas irrefutáveis de 35 anos de regresso político, de tortura, censura, vigilância e abusos de autoridade. Eles ajudaram a colocar na cadeia várias pessoas, desmistificaram Strossner e revelaram um lado do Paraguai que muitos consideravam falso ou, pelo menos, exagerado. Hoje, os arquivos encontrados em 1992 estão abertos a todos os paraguaios, bem organizados, protegidos e, nos últimos anos, acessíveis também a quase todos no mundo. Isso, porque, em 2007, boa parte dos 320 mil documentos do acervo foi digitalizado e colocado disponibilizado na internet, através do site http://www.aladin0.wrlc.org/gsdl/collect/terror/terror_s.shtml. A iniciativa é resultado de um acordo entre o Arquivo de Segurança Nacional, um dos centros de documentação histórica mais importantes e ativos dos EUA, o Centro de Documentação e Arquivo para a Defesa dos Direitos Humanos (CDyA, na sigla em espanhol) da Suprema Corte do Paraguai e a Universidade Católica de Assunção.
Ao todo são mais de 60.000 documentos que ajudam a contar uma parte importante da história do Paraguai e também dos trágicos caminhos que América do Sul tomou no vertiginoso século XX. Acesse e confira você mesmo essa história.

Fonte Café História

domingo, 27 de março de 2011

Novos usos, antigos objetos, heheheh


Espírito maligno em rolo de papel

Empresa japonesa lança conto de terror em papel higiênico // © BBC Brasil (© BBC Brasil)
Empresa japonesa lança conto de terror em papel higiênico
O escritor japonês Koji Suzuki, autor da trilogia Ring, que deu origem ao filme 'O Chamado', vai lança conto de terror em formato nada convencional. Drop fala de um espírito maligno que habita uma privada e será impresso em rolos de papel higiênico. "É como um produto normal. A diferença é que a pessoa pode ler uma história antes de usar o papel", disse à BBC Brasil Hiroshi Nakajima, chefe de vendas da fabricante de papéis Hayashi Paper Corp, empresa que vai lançar o produto. Cada rolo terá o mesmo conto impresso várias vezes e ele pode ser lido em apenas 90 cm do papel.

Efeito Mengele ou pura cruza consanguinea

Solução de mistério de 'cidade dos gêmeos' no RS é destaque no 'NYT'

Solução de mistério de 'cidade dos gêmeos' no RS é destaque no 'NYT'
"Reunião anual de gêmeos de Cândido Godói (Foto: Prefeitura de Cândido Godói)"
Prefeitura realiza encontro anual de gêmeos em Cândido Godói
A apresentação de uma possível solução para o mistério da 'cidade dos gêmeos' gaúcha é destaque nesta sexta-feira no jornal americano 'The New York Times'.
Reforçando o destaque internacional que o tema tem recebido pela imprensa mundial, a reportagem aguarda as revelações de um estudo conduzido para explicar o alto percentual de nascimento de gêmeos em Cândido Godói (RS), uma história que motivou várias especulações.
O mistério aumentou quando o jornalista argentino Jorge Camarasa, autor de uma biografia sobre o geneticista nazista Josef Mengele, sugeriu que o fenômeno poderia ter sido resultado dos experimentos realizados por ele durante uma suposta passagem pela região nos anos 1960.
Os moradores se perguntam também se se trata de alguma substância presente na água da cidade, segundo reza a lenda local.
'Um grupo de cientistas agora pode descartar esses rumores de longa data. Úrsula Matte, uma geneticista de Porto Alegre, afirma que uma série de testes de DNA conduzidos em 30 famílias a partir de 2009 identificou um gene específico entre a população de Cândido Godói que aparece mais frequentemente em mães de famílias com gêmeos que naquelas sem gêmeos', escreve o jornal americano.
Josef Mengele
"Josef Mengele"
Pesquisadores descartaram possível 'efeito Mengele' na cidade
'O fenômeno é reforçado por um alto nível de procriação consanguínea entre a população, composta quase inteiramente por imigrantes de língua alemã.'
Os detalhes serão apresentados em um evento da prefeitura nesta sexta-feira, após dois anos de pesquisas conduzidas pelo Instituto Nacional de Genética Médica Populacional da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.
A pesquisadora foi a primeira a registrar cientificamente o fenômeno, particularmente notável na pequena São Pedro, um vilarejo de 350 moradores perto de Cândido Godói. Entre 1990 e 1994, o percentual de nascimentos de gêmeos em São Pedro foi de 10%, comparado com a média nacional de 1%.
A pesquisa analisou certidões de nascimento de 80 anos atrás e concluiu que o fenômeno dos gêmeos já existia nos anos 1930, antes da suposta passagem de Mengele pelo sul do Brasil.
Estudos feitos na água local não mostraram nenhuma substância atípica.
BBC Brasil